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70 PERFIL EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Preceram: apostar no isolamento é investir na eficiência energética dos edifícios Mercado português prefere comprar equipamentos de aquecimento/ arrefecimento a investir em medidas de médio/longo prazo. Alexandra Costa Quando se fala no setor da construção há o hábito de pensar imediatamente nas habitações novas. No entanto há também que considerar a reabilitação urbana. Que, como lembra Ávila Sousa, diretor técnico e marketing na Preceram, os números apontam para umcrescimento seguido de uma estagnação. “Aquilo que gostaríamos que fosse o arranque de uma nova onda de reabilitação energética – aposta no isolamento – não tem acontecido”, constata. Durante a Semana da Reabilitação Urbana, que decorreu nos últimos dias demarço, emLisboa, foramapresentados os números do Programa de Apoio do Fundo Ambiental, onde se verificou que “grande percentagemdesse apoio foi para equipamentos ativos”. Quer isto dizer “não houve adesão do publico para os sistemas de isolamento, para os sistemas de arquitetura bioclimática”. Para se ter uma ideia “os valores não chegaram sequer ao 1%”. Para se ser mais preciso, o relatório da Fase II do Programa Edifícios mais Sustentáveis 2021/2022 – com dados atualizados a 3 de janeiro de 2023 – dão para estes sistemas, em termos de número de candidaturas elegíveis, 0,5%no caso do isolamento em coberturas e/ou pavimentos, 0,7%no isolamento emparedes e 0,0% para a arquitetura bioclimática (que recebeu apenas 13 candidaturas). Qual a explicação? Será que o que está em causa é o facto de a opção por este tipo de soluções implicar obras mais complexas ou há ainda desconhecimento por parte das pessoas para a sua existência e vantagens? Na opinião do executivo da Preceram as pessoas já perceberam a importância – “e notamos isso nas vendas e nos pedidos que recebemos”. A questão, aponta Ávila Sousa é que o Programa não reflete essa complexidade. Afinal “comprar um equipamento é muito mais simples que instalar um isolamento”. Por outro lado, acrescenta, o Programa está feito de forma que as empresas têm de investir na obra. Só depois desta concluída é que se pode submeter a candidatura e “passados uns meses sabemos que foi rejeitada porque faltava um papel qualquer”. Para Ávila Sousa esta experiência inicial – que aconteceu – contribuiu para uma renitência por parte das pessoas. Sem esquecer que todo o processo é demasiado burocrático e “não pensado para este tipo de obra”. Basta pensarmos que toda a reabilitação implica várias fases de obra, licenças, alvará... são vários os players envolvidos. INVESTIR NUMA SOLUÇÃO A MÉDIO/LONGO PRAZO Pensar em reabilitação urbana e mais precisamente na questão do investir no isolamento é perceber que se trata de um investimento a longo prazo. “A aposta no isolamento promove a eficiência energética a médio-longo prazo e que ter equipamentos de aquecimento e arrefecimento em edifícios não isolados é o mesmo que andarmos com um carro com as janelas abertas e o ar condicionado ligado”. é fácil perceber que “não é eficiente”.

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