6EDITORIAL Numa altura em que todo o setor discute a revolução legislativa em curso, preparando-se para adaptar materiais, processos e requisitos à nova Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios e ao já em vigor Regulamento Produtos de Construção (RPC), que obriga os fabricantes a incluir uma percentagem mínima de material reciclado em produtos como alumínio, PVC, vidro e madeira, os desafios no mercado nacional da construção são complexos. Neste contexto, as empresas da envolvente do edifício desdobram-se em esforços para fazer face às novas exigências com a qualidade dos materiais, os requisitos técnicos de fabrico e instalação, a eficiência energética e o conforto térmico e acústico dos edifícios, ao mesmo tempo que tentam manter-se competitivas por via da inovação digital e tecnológica. Na indústria dos materiais de construção, associações e fabricantes defendem que a implementação eficaz do novo RPC “vai depender de um equilíbrio entre exigências normativas, apoios à transição e fiscalização que evite distorções de mercado”, como pode ler num artigo esclarecedor sobre as novas regras que ditarão um futuro mais rigoroso para o setor. Mas as mudanças resultam também em novas oportunidades. Num contexto em que a ameaça de os EUA aplicarem tarifas de 25 por cento sobre as importações de alumínio e aço abre uma guerra comercial com a União Europeia (e com países como o Canadá e o México), a APAL acredita que “a utilização de produtos reciclados pode aumentar a autonomia nacional e reduzir a dependência da Europa de outras regiões" em relação às necessidades de material. As novas regras garantem mais transparência e um maior alinhamento com os objetivos do Green Deal. No setor das janelas eficientes, por exemplo, “as empresas devem continuar a abraçar as oportunidades relativas às novas exigências” de redução do consumo energético dos edifícios e de materiais e requisitos de construção sustentáveis, como sublinhou João Ferreira Gomes no 8.º Encontro Nacional da ANFAJE. Em reportagem, conheça a opinião dos especialistas sobre as atuais tendências, num debate com foco na Construção 4.0 onde a presidente da EuroWindoor, Verena Oberrauch, apelou à premência de aproveitar a revisão da Diretiva EPBD para “garantir que as janelas são vistas como um contributo positivo para a eficiência energética e o conforto” da habitação em Portugal. Bem a propósito, a distinção de várias empresas e projetos com os Prémios Novoperfil – Janelas Eficientes revela o compromisso do setor com a sustentabilidade e a inovação. Numa edição concorrida, a iniciativa volta a destacar o papel essencial das janelas na transição energética e ambiental. Em destaque, neste número, a reportagem completa desta 2.ª edição da iniciativa que premeia boas práticas lideradas por empresas que são “um exemplo inspirador”, nas palavras de Bruno Veloso, vice-presidente da ADENE. Também a não perder, a entrevista a José Pedro Aller, diretor geral da Aluplast Ibérica, que, numa antevisão aos International Innovation Days da empresa, defende uma visão mais globalizada do mercado da caixilharia em PVC. Boa leitura. Novas exigências legais agitam setor Janelas em PVC, um mercado em crescimento As perspetivas para o setor da construção são encorajadoras: as vendas de caixilhos de janelas estão a aumentar cada vez mais. A última edição do estudo da Ceresana, um dos principais institutos de pesquisa de mercado do mundo, sobre o mercado global de janelas em PVC prevê que a procura aumente novamente este ano. De acordo com o estudo, os investigadores de mercado esperam que as janelas de PVC utilizadas em edifícios cresçam globalmente numa média de 2,3% por ano até 2033. No entanto, existem grandes diferenças por país e por segmento de construção. A renovação e a construção comercial tendem a ser as áreas de crescimento mais rápido. O número de caixilhos de janelas (não os acessórios e os vidros) é sempre decisivo para a análise global do mercado da produção e venda, importação e exportação de janelas em PVC. A análise da Ceresana sobre o mercado de janelas em PVC prevê taxas de crescimento mais elevadas para o segmento da renovação. As janelas de madeira ou alumínio estão a ser cada vez mais substituídas por perfis de PVC robustos e de fácil manutenção em quase todo o mundo. Em muitas regiões, a construção comercial está a desenvolver-se de forma mais dinâmica do que a construção residencial. Por último, conclui-se que as janelas de PVC economizadoras de energia se pagam a si próprias rapidamente. O estudo mostra que as janelas de vidro fixo e as janelas panorâmicas estão a ganhar quota de mercado em todo o mundo, tal como as janelas basculantes, que já estão generalizadas na Europa e permitem uma ventilação controlada.
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