Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício
Estratégia e capacidade produtiva

Centroalum e Lingote abrem portas para mostrar aposta na industrialização dos sistemas de alumínio

Susana Marvão18/02/2026

O ‘Workshop Futura’ levou os participantes para dentro da unidade industrial da Lingote, com demonstrações práticas e contacto direto com o chão de fábrica

Centroalum, Lingote e parceiros defenderam uma transformação do setor assente em tecnologia, processos e capacitação das equipas

A Centroalum apresentou a sua entrada em Portugal como uma aposta na industrialização dos sistemas de alumínio, baseada na normalização de processos e na automatização

A entrada da Centroalum no mercado português foi apresentada como uma decisão industrial e não apenas comercial. Num workshop realizado nas instalações da Lingote, em Fafe (Braga), a marca de sistemas de alumínio mostrou como a integração entre automatização, software, maquinaria e organização fabril está a transformar um setor historicamente artesanal. Ao longo de um conjunto de encontros práticos, a Centroalum, a Lingote e vários parceiros tecnológicos demonstraram como a industrialização pode responder à escassez de mão de obra, aumentar a eficiência e ganhar previsibilidade no chão de fábrica.

Albert Busquets, CEO da Centroalum
Albert Busquets, CEO da Centroalum.

A entrada da Centroalum no mercado português foi apresentada, desde o primeiro momento, como algo mais do que a chegada de uma nova marca de sistemas de alumínio. No ‘Workshop Futura’, realizado nos dias 21, 22 e 23 de janeiro nas instalações industriais da Lingote, essa entrada foi enquadrada como parte de uma estratégia de industrialização profunda, assente na integração entre processos produtivos, software, maquinaria e organização fabril, no contexto do Grupo Corialis.

O evento marcou a primeira apresentação pública da Centroalum em Portugal, depois do início da comercialização dos sistemas a 13 de outubro, e funcionou simultaneamente como uma ação de transferência de conhecimento acumulado ao longo de vários anos em Espanha. Na sessão de abertura, a Centroalum sublinhou que o encontro não tinha apenas como objetivo mostrar produtos ou soluções técnicas, mas explicar o caminho percorrido na automatização e industrialização dos sistemas de alumínio e partilhar esse conhecimento com o mercado português. Tratou-se também da primeira apresentação presencial às equipas de engenharia em Portugal, reforçando o carácter estruturante do momento.

Desde o início, a organização deixou claro que o evento teria uma forte componente prática. A iniciativa foi desenhada para permitir contacto direto com o ambiente industrial, com regras rigorosas de segurança e circulação controlada dentro da fábrica da Lingote. As visitas foram organizadas em pequenos grupos, acompanhados por responsáveis identificados, permitindo observar processos reais em funcionamento, num contexto produtivo ativo. A opção por grupos reduzidos teve um objetivo claro: garantir que os participantes conseguissem perceber, no terreno, como se articulam os diferentes elementos de um processo industrial integrado.

A parceria entre a Centroalum e a Lingote foi apresentada como parte da lógica de organização do Grupo Corialis, que opera através de hubs industriais em diferentes países. No caso português, essa integração traduziu-se num investimento significativo na unidade industrial, criando uma operação verticalmente integrada, que inclui extrusão, lacagem e cravação. A pertença ao grupo europeu foi também associada ao acesso a certificações que asseguram a rastreabilidade do alumínio, a reciclabilidade dos materiais e o cumprimento de exigências ambientais cada vez mais relevantes no setor.

A proposta da Centroalum assenta numa visão de sistema fortemente orientada para a industrialização. A marca posiciona-se como sistemista de alumínio com foco na simplificação dos processos produtivos, na redução da variabilidade e na criação de soluções pensadas para serem rapidamente implementadas em fábrica. A base de dados de sistemas, desenvolvida ao longo de vários anos, foi concebida para permitir que uma unidade produtiva consiga iniciar a fabricação de janelas desde o primeiro dia, sem necessidade de fases prolongadas de teste, porque todos os processos foram previamente analisados, medidos e validados.

Esta abordagem responde a uma transformação estrutural do setor. Durante décadas, a produção assentou sobretudo na repetição de medidas iguais. Hoje, a lógica apresentada passa pela repetição de processos. A industrialização surge como resposta direta à escassez de mão de obra qualificada e à necessidade de produzir mais com menos pessoas. A normalização dos fluxos produtivos permite obter rentabilidades consistentes, reduzir erros e aumentar a previsibilidade do resultado final.

Imagen

O Canal 16 como eixo estruturante

O Canal 16 atravessou todo o evento como um dos pilares centrais desta estratégia. A sua adoção foi apresentada não apenas como uma escolha técnica, mas como uma decisão estrutural para viabilizar a industrialização. O sistema permite reduzir tempos de montagem, eliminar operações manuais complexas e aumentar a previsibilidade do processo produtivo. A demonstração prática mostrou como a ferragem chega pré-fabricada, com pontos de fecho definidos, permitindo que a produção se concentre na execução e não na interpretação técnica de cada janela.

Neste contexto, a Rotofer apresentou o sistema de ferragens Roto NX A16, explicando de forma detalhada as vantagens do Canal 16 face ao canal europeu tradicional. A empresa destacou a redução dos custos de montagem, a facilidade de aplicação frontal da ferragem e a normalização internacional das medidas, que permite manter processos estáveis mesmo quando se trabalha com diferentes sistemas ou materiais. Foi ainda sublinhada a possibilidade de separar a montagem do aro e da folha, permitindo maior flexibilidade tanto na produção como na instalação em obra.

A Rotofer destacou também as vantagens ao nível da segurança, da durabilidade e da estética, sublinhando que a ferragem em aço oferece maior resistência e que o sistema permite uma ampla variedade de acabamentos. A compatibilidade do Canal 16 com alumínio, PVC, madeira e aço foi apresentada como um fator adicional de simplificação para fábricas que trabalham com diferentes materiais.

A digitalização dos processos foi outro dos eixos centrais do ‘Workshop Futura’. A Gesfacil apresentou o papel do software na integração entre orçamento, pedido e produção, demonstrando como a informação flui do escritório técnico para as máquinas sem necessidade de transcrições manuais. A apresentação mostrou, passo a passo, como um orçamento se transforma num pedido e como esse pedido gera automaticamente instruções para as máquinas, libertando o chão de fábrica da necessidade de interpretar desenhos ou decisões técnicas.

O software foi apresentado como elemento-chave para transformar um produto tradicionalmente artesanal num produto tecnológico. A normalização dos processos permite medir custos reais, controlar desperdícios, otimizar a utilização de materiais e melhorar o controlo de qualidade. Ao mesmo tempo, reduz a dependência de profissionais altamente especializados para tarefas específicas, facilitando a formação de novos colaboradores e mitigando o impacto da rotatividade ou das ausências.

O encontro incluiu ainda uma apresentação detalhada dos sistemas de alumínio da Centroalum, com destaque para soluções de folha oculta, capacidades de carga elevadas, diferentes configurações de abertura e uma ampla gama de acabamentos. A lógica apresentada assenta na versatilidade: com uma única série, é possível cobrir uma grande diversidade de aplicações, desde janelas de pequena dimensão a grandes vãos arquitetónicos, reduzindo a complexidade do stock e aumentando a flexibilidade da produção.

Organização industrial como complemento da tecnologia

A vertente de organização industrial foi aprofundada pela DCM, que apresentou uma abordagem focada na transição de oficinas artesanais para unidades industriais estruturadas. A empresa explicou como o desenho do layout, a definição clara dos fluxos de produção e a normalização dos postos de trabalho são determinantes para aumentar a eficiência, reduzir tempos mortos e eliminar retrabalhos. A organização do espaço e dos processos surge como complemento indispensável à automação e ao software, garantindo que a tecnologia é efetivamente aproveitada.

A Maquintec esteve presente como parceira tecnológica na área da maquinaria, enquadrando o papel dos equipamentos industriais no suporte à automatização e à industrialização dos sistemas apresentados. A maquinaria surgiu integrada na demonstração prática dos processos, reforçando a ideia de que a industrialização resulta da articulação entre diferentes tecnologias e não da adoção isolada de equipamentos.

Imagen

A fábrica como prova final do conceito

A visita à fábrica da Lingote funcionou como culminar de toda a narrativa construída ao longo do dia. A circulação pelos diferentes setores permitiu observar os processos de extrusão, lacagem e organização logística, bem como a integração vertical da unidade industrial. O investimento realizado após a integração no Grupo Corialis foi apresentado como garantia de capacidade produtiva, rapidez de resposta e proximidade ao cliente. A produção local, o stock em Portugal e prazos de entrega controlados surgiram como fatores diferenciadores num mercado cada vez mais exigente.

Ao longo de todo o evento, a mensagem foi consistente entre as diferentes intervenções: industrializar não é apenas investir em máquinas, mas repensar processos, integrar software, organizar o trabalho e capacitar as pessoas. A parceria entre a Centroalum e a Lingote, apoiada por um ecossistema de parceiros tecnológicos e enquadrada no Grupo Corialis, procurou demonstrar que é possível transformar um setor tradicional através de uma abordagem estruturada, mensurável e orientada para o futuro, sem perder o contacto com a realidade do chão de fábrica.

Empresas ou entidades relacionadas

CentroAlum
Lingote Alumínios, S.A.

novoperfil.pt

Novoperfil - Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício

Estatuto Editorial