Eficiência energética em edifícios: porque é tão importante?

Texto: Artur Mexia | Vice-Presidente da ANFAJE22/02/2021
Poderá pensar-se que o tema da eficiência energética dos edifícios tem sido debatido e abordado imensas vezes em diferentes contextos e vertentes.
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A verdade é que ele não perde actualidade e, sobretudo, nos tempos mais recentes, com o recolhimento imposto pela pandemia, os períodos de permanência no interior dos edifícios tem aumentado significativamente, o que torna o assunto ainda mais pertinente.

Seja no espaço do lar, no escritório, na escola ou no centro de saúde, a eficiência energética está associada ao conforto e sanidade das instalações, à economia nos gastos de energia e à preocupação social de manter um planeta sustentável.

Na realidade, ao referir-se que cerca de 40% das perdas de energia nos edifícios se dão através das portas e janelas, tem que se analisar o que está por trás de tal situação, e como podemos reduzir esse desperdício, pensando numa perspectiva de causa-efeito e procurando dissecar os diversos factores que podem estar associados a tais perdas:

i) A baixa qualidade ou inadequação das soluções e produtos aplicados?

ii) A deficiente instalação pelo método e forma de aplicação dos produtos?

iii) O uso ou manuseamento incorrecto das soluções instaladas?

Na prática o que se verifica é a coexistência dos três factores em simultâneo pelo que importa ver como se pode agir para atenuar as perdas energéticas e melhorar o desempenho da envolvente dos edifícios. Dando a devida atenção a estas situações pode reduzir-se a factura energética, melhorar-se as condições de conforto e baixar os custos de conservação e manutenção em tempos futuros.

Seja no espaço do lar, no escritório, na escola ou no centro de saúde, a eficiência energética está associada ao conforto e sanidade das instalações, à economia nos gastos de energia e à preocupação social de manter um planeta sustentável

Como actuar para alterar mentalidades?

Uma boa parte das acções que se podem tomar assentam na educação e formação dos participantes no processo de construção e reabilitação dos edifícios (projectistas, construtores, promotores imobiliários, fabricantes e, claro, utilizadores), transmitindo o conhecimento das soluções e técnicas construtivas e fomentado a mudança de mentalidades e atitudes. Eis alguns exemplos:

1. Um edifício antigo, numa numa zona histórica bastante exposta, tem janelas de guilhotina e que se querem preservar; faz sentido manter a solução? Manter a forma de abertura pode ser a intenção, mas estas soluções são normalmente pouco eficazes em termos de estanquidade e permeabilidade ao ar, pelo que há que ponderar outras soluções que, sem prejudicar a imagem, melhorem o desempenho. Há soluções baseadas em caixilharia de batente que recorrendo a morfologia e geometria semelhantes, sobretudo pelo exterior, reduzem substancialmente as infiltrações e incrementam o conforto térmico e acústico, sem alterar ou comprometer a estética. É importante que a tradição que nos liga ao passado possa ser conjugada com a inovação e tecnologia que nos leva ao futuro.

2. Trocaram-se as janelas de uma habitação por outras de melhor qualidade, termicamente isoladas, mas continuam a existir humidades, talvez mesmo agravadas, é normal? Ao melhorar-se a classe de permeabilidade ao ar das janelas e portas actuais deixou de haver ventilação espontânea e descontrolada, pois criaram-se soluções estanques já que o conforto e a eficiência energética dos edifícios prevê a redução das trocas térmicas por infiltração de ar. Mas há que prever sempre formas de ventilação, seja de forma natural, mecânica ou electromecânica. Mesmo no período de inverno, é necessário garantir a renovação do ar interior para assegurar as boas condições de habitabilidade e de conforto, pelo que, escolhendo a forma de abertura e o momento do dia apropriado, deve assegurar-se a ventilação dos espaços. Se não houver meios mecânicos de ventilação, com a abertura por algum tempo de janelas em fachadas opostas, estimula-se a circulação de ar e, deste modo, pode baixar-se a humidade e renovar a qualidade do ar interior.

Mesmo com janelas de elevada qualidade, com materiais termicamente melhorados, é possível o aparecimento de condensações na superfície interior de vidros, situação que frequentemente leva ao (sobre)aquecimento dos espaços. Normalmente trata-se de um sinal claro de nível elevado de humidade. Mas também da possível existência de pontes térmicas entre o exterior e o interior resultantes de deficiente assentamento e calafetagem da caixilharia. As folgas perimetrais de cerca de 5 mmm recomendadas pelos fabricantes de sistemas devem ser respeitadas e devidamente preenchidas com selantes e isolantes adequados, evitando-se deste modo a ocorrência de infiltrações, pontes térmicas, condensações e passagem de ruído. A escolha de um fabricante e/ou instalador qualificado é a chave para o sucesso de qualquer projecto de renovação ou construção nova. Há que evitar o biscate e a pirataria.

3. Trocaram-se as portas de sacada dos quartos por outras com ruptura da ponte térmica, mas entra chuva e frio pela parte inferior. Na realidade, espaços como as zonas de repouso com acesso a varandas ou terraços devem ser sempre construídos com janelas de sacada com aro fixo perimetral completo para assegurar a comodidade do espaço interior. Mesmo com o desconforto dessa barreira arquitectónica, o elemento inferior do aro na zona de soleira é imprescindível para garantir a estanquidade e a impermeabilização necessária, evitando as trocas indesejáveis de calor e a entrada de ruído. A escolha de soluções deve ser adequada ao tipo de uso, aos requisitos dos utilizadores e à conformidade com regulamentos, normas e melhores práticas de construção.

No âmbito das caixilharias, a oferta no mercado nacional é actualmente muito diversificada no que concerne a materiais, soluções, tecnologias e design

Que produtos oferece o mercado?

No âmbito das caixilharias, a oferta no mercado nacional é actualmente muito diversificada no que concerne a materiais, soluções, tecnologias e design.

A escolha pode depender do tipo de utilização, do local, da arquitectura do edifício ou de outro factor, estando nas mãos do “consumidor”, quem quer ele seja: o dono da obra, o arquitecto, o construtor ou o serralheiro. Qualquer deles fará as opções que achar mais convenientes e adequadas ao projecto, mas deverá fazê-lo com a percepção de que a escolha certa, hoje, é a que contempla a poupança de energia, o bem-estar e a sustentabilidade, salvaguardando a existência das gerações do amanhã.

Nota: o autor escreve segundo as regras do Antigo Acordo Ortográfico.
Academia Anfaje: formaçao - workshops - seminários técnicosJaba: tradução 4.0Adene: janelas eficientes só com etiqueta energética CLASSE+

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