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2022: que futuro para o setor das janelas em Portugal?

Ana Clara24/11/2021

Este é o tempo de uma só palavra de ordem: descarbonização! Depois de uma pandemia que afetou brutalmente vários setores económicos, importa saber o que reserva 2022 ao setor das janelas que, pese embora o clima económico desfavorável nos últimos dois anos, foi dos poucos que passou incólume, empurrado pela Construção, que nunca parou. Nelson Lage, Presidente da ADENE - Agência para a Energia, e João Ferreira Gomes, Presidente da Direção da ANFAJE - Associação Nacional dos Fabricantes de Janelas Eficientes, antecipam as perspetivas para o próximo ano.

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Nelson Lage, Presidente da ADENE, sublinha à Novoperfil que a eficiência energética desempenha um “papel crucial na descarbonização e no cumprimento das metas com vista à neutralidade carbónica em 2050”. “Nunca como hoje o tema da eficiência energética foi tão discutido e nunca houve tanto dinheiro disponível para investir em edifícios e infraestruturas”, vinca.

Recorda que na proposta de Orçamento de Estado para 2022 estão previstos 123 milhões de euros que visam aumentar o desempenho energético dos edifícios (através da adoção de medidas passivas e da progressiva eletrificação do edificado), bem como fomentar o uso de equipamentos mais eficientes. “Esta aposta do Governo no edificado com vista à transição climática abrange as áreas da habitação, saúde e equipamentos sociais”, relembra.

Na melhoria da eficiência energética nos edifícios, além do investimento, "é fundamental o desenvolvimento tecnológico e a simplificação dos instrumentos de política pública. A aposta em materiais sustentáveis e a opção por equipamentos energeticamente mais eficientes são instrumentos que permitem alcançar a sustentabilidade. Mas as oportunidades não se esgotam apenas na energia. Nos edifícios, os consumos de energia e água estão intimamente ligados e as tecnologias de monitorização, armazenamento e controlo inteligente assumem um papel cada vez mais importante numa gestão eficiente destes recursos", realça Nelson Lage. 

Para o líder da ADENE, a par do desenvolvimento tecnológico nos edifícios, "é necessário definir competências, formar e qualificar técnicos, para que as boas soluções tecnológicas sejam bem aplicadas. A sustentabilidade e eficiência energética dos edifícios são um pilar essencial da descarbonização da Europa". 

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Nelson Lage diz que, nunca como hoje, o tema da eficiência energética foi tão discutido e "nunca houve tanto dinheiro disponível para investir em edifícios e infraestruturas".

"A sustentabilidade e eficiência energética dos edifícios são um pilar essencial da descarbonização da Europa", refere Nelson Lage

“Setor das janelas com forte confiança” no próximo ano

"O setor das janelas, portas e fachadas está com uma forte confiança de que o ano de 2022, tendo em conta a reabilitação e melhoria da eficiência energética de edifícios, o investimento em novos empreendimentos imobiliários e as políticas públicas alicerçadas no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-26 (PRR), será um ano de reforço e continuação do crescimento da atividade das empresas", começa por elucidar João Ferreira Gomes.

O Presidente da Direção da ANFAJE refere que atualmente, apesar de algum abrandamento provocado pelos efeitos da pandemia Covid-19, "a trajetória de investimento na reabilitação de edifícios das nossas vilas e cidades e o lançamento de novos empreendimentos imobiliários permite confiar no incremento da atividade das empresas do setor das janelas, portas e fachadas. Cada vez mais, os elementos construtivos, denominados normalmente como ‘vãos envidraçados’, têm um contributo indispensável para melhorar o conforto e atingir padrões de eficiência energética cada vez mais exigentes. Neste sentido, as empresas do setor têm vindo a lançar novos produtos e serviços, os quais respondem, crescentemente, às exigências de cumprimento da mais recente legislação, em matéria de desempenho térmico e eficiência energética (Decreto n.º 101-D/2020 de 07 de dezembro de 2020)". 

Neste caminho de maior exigência dos requisitos técnicos dos edifícios, "é fundamental ter em conta que as janelas, portas e fachadas são componentes imprescindíveis para obter edifícios mais confortáveis e mais sustentáveis".

"É fundamental ter em conta que as janelas, portas e fachadas são componentes imprescindíveis para obter edifícios mais confortáveis e mais sustentáveis", afiança João Ferreira Gomes

Por esse motivo, sustenta, as empresas do setor das janelas, portas e fachadas "vão continuar a assegurar a sustentabilidade e o crescimento da sua atividade nos próximos anos." Nessa perspetiva, as empresas do setor "têm de reforçar a sua capacidade em termos técnicos e de recursos humanos para construir o futuro próximo com confiança redobrada, aproveitando as oportunidades" que se apresentam com três desafios.

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As empresas do setor das janelas, portas e fachadas “vão continuar a assegurar a sustentabilidade e o crescimento da sua atividade nos próximos anos”, afirma João Ferreira Gomes.

"O primeiro está relacionado com o aproveitamento e execução dos fundos previstos no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-26 (PRR). Neste âmbito, o nosso País tem uma oportunidade única de financiamento de ações de renovação do parque edificado, que permite melhorar o conforto térmico e a eficiência energética de muitos edifícios construídos. E, para isso, o setor das janelas, portas e fachadas tem de estar preparado para dar uma resposta positiva à exigência de procura de produtos que cumpram eficaz e eficientemente os novos requisitos técnicos. O financiamento público previsto está atualmente em curso com o lançamento de dois importantes programas que se estendem até 2026: a segunda fase do Programa ‘Edifícios Mais Sustentáveis’ e o Programa ‘Vale Eficiência’, ambos da responsabilidade do Fundo Ambiental e que permitem apoios financeiros à substituição de janelas e portas antigas por novas janelas e portas eficientes", salienta João Ferreira Gomes.

Como segundo desafio, enumera, “as empresas do setor têm de continuar a estar atentas à evolução da legislação europeia e portuguesa. Essa atenção deve recair na necessidade que as empresas têm de disponibilizar novas soluções que respondam às exigências da Diretiva Europeia para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) e dos edifícios NZEB (edifícios com consumo quase zero de energia), bem como a sua concretização, através da atualização dos regulamentos nacionais”.

O terceiro desafio está relacionado com a necessidade de continuar a aumentar as qualificações dos profissionais das empresas do setor. "A necessidade de ações de formação profissional que possam qualificar e requalificar colaboradores de todas as áreas das empresas do setor, com um foco urgente na formação de novos técnicos de instalação de janelas e fachadas qualificados que possam responder às novas exigências e padrões da qualidade da construção", diz o responsável da ANFAJE. 

Em conclusão, João Ferreira Gomes não tem dúvidas, "com estes três desafios principais, a ANFAJE continuará, como sempre, a reforçar a importância do setor das janelas, portas e fachadas, na melhoria do conforto e da eficiência energética dos edifícios em Portugal. A ANFAJE continuará, ainda, a apresentar propostas positivas, junto das entidades públicas para assegurar o fortalecimento e crescimento do nosso setor". 

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