Com uma área de exposição de 150 mil metros quadrados, a Paris Builders Show surge com uma nova identidade, reafirmando-se como a feira de referência internacional do setor da construção. Sob esta nova égide, foi apresentada, na Casa de la Luz de Simon, em Madrid, uma das iniciativas internacionais mais relevantes, destacando o papel da reabilitação na transição para um modelo de construção de menor impacto ambiental. O evento decorrerá de 28 de setembro a 1 de outubro na Paris Expo Porte de Versailles.
A apresentação da Paris Builders Show não só revelou as mudanças mais significativas de uma das feiras mais impactantes do setor da construção, como permitiu traçar um panorama do impacto do setor a nível europeu, sublinhando o papel central que a reabilitação deverá assumir no futuro.
Paralelamente a este debate global e essencial, construiu-se a nova identidade de uma feira que, anteriormente, estava dominada pela Batimat e que evoluiu para um evento internacional, integrando as feiras Batimat, Interclima, Idéobain e o fórum Renodays.
Jean-Philippe Guillon, diretor da Paris Builders Show, destacou os pontos-chave desta mudança de rumo: “Integrar todos os agentes da cadeia de valor da construção e promover uma visão conjunta face aos desafios atuais do setor”. A feira prevê um aumento de visitantes em relação à edição de 2023, ultrapassando os 150 mil profissionais. Para além de segmentar cada área da construção, a Paris Builders Show integra novos eixos focados na sustentabilidade, eficiência energética e saúde.
O programa inclui conferências profissionais, com especial destaque para dar voz aos arquitetos perante os novos desafios, bem como encontros de networking, workshops e experiências inovadoras. Entre as atividades mais relevantes, destacam-se os Innovation Awards, que contam com a delegação espanhola como parceiro estratégico, tanto em termos de presença na área de exposição como de número de visitantes.
Atualmente, cerca de 80% do espaço expositivo das feiras Batimat, Interclima, Idéobain e do fórum Renodays será dedicado ao debate sobre problemas globais do setor da construção, desde a procura de soluções para a crise da habitação acessível até estratégias para a renovação energética do parque imobiliário existente.
O primeiro estudo, de âmbito europeu, intitulado ‘Net Zero Carbon Renovation’, analisa o impacto de carbono associado aos processos de reabilitação em países como França, Espanha, Itália e Países Baixos. Apresentado por Anna Cunha, da Deerns, em representação da Alliance HQE-GBC, o relatório avalia o ciclo de vida dos edifícios, os sistemas energéticos e a influência dos materiais, destacando a necessidade de harmonizar metodologias para acelerar a transição para estratégias de baixas emissões, considerando parâmetros como climatologia e tipos de construção.
O estudo evidenciou as especificidades de cada país, os tipos de certificação utilizados e o grau de sensibilização para a renovação do parque imobiliário existente. Países como a Holanda e França mostram maior evolução em termos de renovação, mas também evidenciam a necessidade de unificar critérios a nível europeu. Como referiu Anna Cunha: “Constatámos que os indicadores não são uniformes entre países. Apesar de a Taxonomia Europeia considerar as mesmas etapas do ciclo de vida de um edifício, é preciso ter em conta o clima, que influencia as soluções aplicadas”. As alterações climáticas estão, de facto, a mudar as regras do jogo.
O segundo relatório, elaborado pelo Club de l’Amélioration de l’Habitat, analisa o mercado de reabilitação do parque habitacional francês e o seu potencial de renovação, enfatizando as oportunidades para modelos mais eficientes. Jean-Philippe Guillon explicou que o financiamento público tem dinamizado o mercado da renovação, mas não é suficiente para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2050. Um dado relevante: “Em 2050, mais de 80% das habitações já existirão hoje”, alertando para a necessidade de iniciar de imediato os esforços de adaptação ambiental.
O debate destacou a importância de aplicar quadros normativos como o Level(s), que promovem a rastreabilidade dos materiais utilizados na construção e reabilitação, salientando o papel crescente de materiais como a madeira.
Apesar destes desafios, a sessão terminou com otimismo, evidenciando o potencial do mercado e as oportunidades de negócio na reabilitação de habitações, tanto para reduzir o défice habitacional como para adaptar os edifícios às novas exigências ambientais. Isto exige, contudo, uma aceleração no cumprimento dos ambiciosos planos europeus.

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