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Barómetro 2026 identifica avanços no conhecimento e entraves na aplicação prática no setor

Construção sustentável ganha reconhecimento em Portugal, mas implementação fica aquém

27/04/2026

Quase três quartos dos profissionais do setor da construção em Portugal afirmam compreender claramente o conceito de construção sustentável, mas a sua aplicação no terreno permanece limitada, segundo o Barómetro da Construção Sustentável 2026, divulgado pela Saint-Gobain.

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Em Portugal, 73% das partes interessadas afirmam compreender exatamente o que é a construção sustentável, enquanto apenas 1% refere nunca ter ouvido falar do conceito. Entre os cidadãos, o nível de literacia é mais moderado, com 36% a compreender claramente o conceito e 54% a reconhecerem-no, embora sem conhecimento aprofundado.

Apesar deste elevado grau de familiaridade e de 73% dos profissionais considerarem a construção sustentável uma prioridade, tal não se traduz integralmente em prática no terreno. Como ações que permitem acelerar este processo, 36% dos inquiridos apontam para a melhoria da competitividade dos materiais, produtos e soluções sustentáveis, 31% para a sensibilização do público geral e 25% para a regulamentação a favor da intensificação da renovação energética.

Também do lado dos cidadãos, a perceção de prioridade é significativa: 60% consideram a construção sustentável uma prioridade, enquanto 37% a classificam como importante, mas não prioritária, recomendando caminhos semelhantes para a sua implementação.

A questão do valor surge como um fator crítico em Portugal. 41% das partes interessadas consideram que a construção sustentável cria mais valor do que a construção tradicional, enquanto 20% entendem que cria valor equivalente. Ainda assim, 26% acreditam que gera menos valor, evidenciando que persistem dúvidas relevantes no mercado quanto ao retorno do investimento.

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL E RESILIÊNCIA

Bancos e seguradoras: parceiros-chave para escalar o processo

Perante a crescente frequência de fenómenos meteorológicos extremos, a construção sustentável afirma-se progressivamente como uma questão central para a gestão do risco, a resiliência territorial e a preservação do valor económico e dos ativos, indo além do desempenho ambiental isolado.

No entanto, há uma lacuna persistente: embora os agentes financeiros reconheçam a importância da adaptação e da resiliência no ambiente construído, a sua integração nas decisões de investimento, financiamento e seguros permanece limitada, devido a benefícios insuficientes.

Uma consciencialização real, mas ainda incompleta

Pela primeira vez desde o seu lançamento em 2023, o Barómetro da Construção Sustentável inclui um estudo qualitativo internacional realizado junto do setor financeiro - bancos comerciais, bancos de desenvolvimento e seguradoras - centrado na adaptação e na resiliência.

Esta nova componente complementa o inquérito quantitativo internacional realizado anualmente (4.800 partes interessadas – profissionais, estudantes, associações e outros agentes do setor - e 30 mil cidadãos em 30 países).

Os resultados mostram que a adaptação climática e a resiliência estão a ganhar terreno em todos os países: tanto entre os agentes financeiros como entre as partes interessadas (26% das menções, mais cinco pontos face a 2025, após um aumento já significativo no ano anterior) e os cidadãos inquiridos.

Estas dimensões referem-se à capacidade dos edifícios e das infraestruturas para resistirem a perigos climáticos, absorverem choques e preservarem o seu valor ao longo do tempo. No entanto, ainda têm dificuldade em tornar-se critérios estruturantes nos modelos económicos e permanecem difíceis de traduzir operacionalmente em decisões de crédito ou de alocação de capital.

O principal obstáculo: a falta de demonstração do retorno do investimento

Todos os intervenientes inquiridos pelo Barómetro apontam a mesma explicação: a necessidade de demonstrar claramente o retorno do investimento dos projetos de adaptação e resiliência.

Ao contrário da redução das emissões de CO₂, que beneficia de indicadores amplamente padronizados, a resiliência assenta em benefícios a longo prazo, probabilísticos e frequentemente indiretos: redução de perdas futuras, continuidade do negócio e preservação do valor dos ativos.

Como resultado, custos imediatos e visíveis, por vezes significativos, confrontam-se com benefícios mais difusos, ainda pouco integrados nos modelos financeiros e de seguros.

Tornar a resiliência um ativo económico

Para acelerar a transformação do setor e a transição para a construção sustentável, é agora urgente transformar a resiliência num motor de desempenho económico, competitividade e redução de risco.

O Barómetro mostra que, a nível global, 47% das partes interessadas consideram que a construção sustentável cria mais valor do que a construção tradicional, uma avaliação que continua frágil, particularmente na Europa e na Ásia-Pacífico.

Adicionalmente, emergem três alavancas-chave para reforçar o apoio dos respondentes mais hesitantes (6% das partes interessadas) e dar continuidade ao impulso da construção sustentável:

  • Tornar os benefícios tangíveis,
  • Garantir o desempenho real para os utilizadores,
  • Objetivar a competitividade económica das soluções.

Financiadores desempenham um papel-chave na expansão em escala

Neste contexto, bancos e seguradoras ocupam uma posição estratégica: ao integrarem de forma mais sistemática as questões de adaptação e resiliência nos seus processos de decisão, podem desempenhar um papel decisivo na passagem de uma ambição partilhada para uma transformação em larga escala do setor da construção.

Isto exige progressos em várias frentes:

  • O desenvolvimento de referências e normas mais operacionais;
  • Uma melhor tradução financeira dos riscos físicos;
  • A estruturação de instrumentos financeiros adaptados;
  • E uma integração mais sistemática da resiliência na avaliação de projetos e carteiras.

O 4.º Barómetro da Construção Sustentável completo está disponível AQUI.

METODOLOGIA

O estudo quantitativo foi realizado pela Occurrence–Ifop entre 16 de outubro e 14 de novembro de 2025, com base em duas amostras: partes interessadas e cidadãos, em 30 países, com indivíduos com 18 anos ou mais. A amostra de partes interessadas totaliza 4.800 inquiridos, distribuídos entre 1.500 profissionais (construção e obras públicas, arquitetura, habitação, organizações profissionais do setor da construção, energia, indústria e gestão de resíduos), 1.500 estudantes (construção, edificação e obras públicas, engenharia civil, arquitetura e design de espaços), 1.200 membros de associações (transição ecológica, habitação, construção, energia, alterações climáticas e economia circular) e 600 representantes locais eleitos ou representantes da administração local. A amostra de cidadãos é composta por 30 mil inquiridos (1.000 por país), representativa da população de cada país, com questionário omnibus online.

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