Construção industrializada
Devemos encarar a construção industrializada como uma oportunidade para reforçar a competitividade e produtividade e afirmar o papel das janelas, portas e fachadas eficientes na construção dos edifícios do futuro
A industrialização da construção assenta em princípios de pré-fabricação, digitalização, padronização de processos e integração entre os diversos intervenientes da cadeia de valor. Trata-se de uma abordagem que permite reduzir desperdícios, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade da construção e encurtar os prazos de execução das obras. Num contexto marcado pela escassez de mão de obra qualificada, pela necessidade de acelerar o ritmo e o volume de construção e reconstrução das habitações e pelas crescentes exigências de sustentabilidade e eficiência energética, estes fatores tornam-se particularmente relevantes.
Neste sentido, o setor das janelas, portas e fachadas eficientes encontra-se numa posição privilegiada para beneficiar desta evolução. Os nossos produtos são, por natureza, elementos industrializados, fabricados em ambiente controlado e sujeitos a elevados padrões da qualidade e de desempenho técnico-funcional. A integração cada vez mais precoce destes sistemas nos projetos de construção industrializada permite otimizar processos, reduzir erros em obra e garantir melhores níveis de conforto térmico e acústico, eficiência energética e durabilidade dos edifícios.
A utilização de metodologias digitais, nomeadamente através da modelação BIM, abre igualmente novas oportunidades para as empresas do setor. A possibilidade de integrar janelas, portas e fachadas em modelos digitais, desde as fases iniciais de projeto, favorece a coordenação entre especialidades, reduz incompatibilidades nas várias especialidades e valoriza o conhecimento técnico dos fabricantes. As empresas que investirem na digitalização dos seus processos estarão mais bem preparadas para responder às exigências do mercado nos próximos anos.
Contudo, a transição para um modelo de construção mais industrializado não está isenta de desafios. Muitas empresas continuam a enfrentar dificuldades relacionadas com o investimento necessário em tecnologia, automação e qualificação dos seus recursos humanos. A adoção de novas ferramentas digitais exige competências técnicas específicas e uma mudança cultural que nem sempre é fácil de concretizar. Por outro lado, subsistem ainda algumas barreiras ao nível da própria cadeia de valor da construção. A fragmentação do setor, a resistência à mudança e a contratação baseada exclusivamente no preço mais baixo continuam a limitar a adoção de soluções mais inovadoras e eficientes. A industrialização exige uma maior colaboração entre projetistas, fabricantes, construtores e donos de obra, promovendo uma lógica de parceria e criação de valor que nem sempre está enraizada nas práticas atuais, sobretudo nos modelos de gestão em Portugal.
Enquanto setor, devemos encarar a construção industrializada não como uma ameaça, mas como uma oportunidade para reforçar a nossa competitividade, aumentar a produtividade e afirmar o papel das janelas, portas e fachadas eficientes na construção dos edifícios do futuro.
As empresas que souberem antecipar esta mudança estarão mais preparadas para responder às exigências de um mercado cada vez mais tecnológico, sustentável e orientado para a qualidade. O futuro da construção está a ser desenhado hoje. E o nosso setor tem todas as condições para ser um dos seus protagonistas, assumindo um papel central neste processo.
Neste contexto, a ANFAJE continuará a assumir um papel ativo no apoio às empresas, promovendo a partilha de conhecimento e boas práticas, a qualificação técnica e o acompanhamento das principais tendências tecnológicas e regulamentares. Uma associação que pretende que as empresas estejam mais preparadas para enfrentar os desafios da industrialização da construção e aproveitar as oportunidades de crescimento, inovação e valorização que este novo paradigma oferece.



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