A ADENE apresentou a nova fase do sistema CLASSE+, com o alargamento a novos produtos, revisão metodológica e lançamento de uma plataforma digital. A aposta na qualificação da informação técnica e na digitalização para melhorar a eficiência energética nos edifícios “é uma garantia para o setor” da envolvente.
A iniciativa decorreu no âmbito da Conferência CLASSE+, realizada na Tektónica, na FIL, em Lisboa, e contou com o apoio da Revista NovoPerfil. Sob o mote ‘Mais produtos, melhor informação, a mesma classe’, o evento reuniu especialistas, representantes da indústria, associações setoriais e academia para debater a importância da envolvente térmica dos edifícios, num contexto marcado pela entrada em vigor da nova Diretiva Europeia para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD, na sigla em inglês).
Abordando os desafios e oportunidades da EPBD, Cátia Carvalho Brito, coordenadora do Grupo de Trabalho da ADENE para a implementação desta diretiva europeia, recordou a meta da União Europeia (UE) que prevê que todos os edifícios em stock, a nível nacional, atinjam o Selo Zero Emissões (ZEB) até 2050, defendendo o estabelecimento de “legislação que obrigue à renovação”, nomeadamente na envolvente do edifício. Para a especialista, é fundamental “apostar na capacitação do setor”, face a uma diretiva “disruptiva”: “vem aí uma nova geração de certificação energética”, alertou.
Márcio Gonçalves, técnico investigador no IteCons, sublinhou que “na UE, 75% dos edifícios são ineficazes energeticamente”, defendendo que “a envolvente é um dos principais componentes que impacta a [sua] eficiência”. Entre vários exemplos, a reabilitação térmica da envolvente (ETICS), nas coberturas exteriores, e a envolvente envidraçada dos edifícios têm vindo a evoluir para “sistemas que têm um desempenho muito bom”. Contudo, na obra, verificam-se “problemas na instalação”.
A propósito, Paulo Santos, diretor de Sustentabilidade e Mobilidade da ADENE, reiterou que “é fundamental associar um bom produto a uma boa instalação”, pelo que a Agência aposta na formação e capacitação dos profissionais (desenvolvedores e instaladores), através de cursos práticos. Garantindo que “boa parte do valor certificado é identificar aquilo que é feito na envolvente, onde está a maior parte das oportunidades na energia”, Paulo Santos anunciou a próxima missão do CLASSE+: “que até ao início do próximo ano, tenhamos um milhão de etiquetas emitidas”.
Numa mesa-redonda dedicada à qualificação e capacitação da oferta que reuniu representantes da indústria, associações setoriais e academia, os desafios da implementação, a valorização do conhecimento técnico e o alinhamento entre inovação, regulação e execução estiveram em destaque.
Como referiu João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE, “o setor está muito mais capacitado para dar a conhecer o que são as soluções tecnológicas”. Para José Dias, presidente da APAL, “a capacidade de utilizar material reciclado, mas que já cumpriu o [seu] ciclo de vida” é “um passo essencial”. De referir que, durante a conferência, a ADENE e a APAL assinaram um protocolo de colaboração, com o objetivo de impulsionar a transição energética e climática no setor do alumínio, através de iniciativas conjuntas de inovação, capacitação e eficiência.
Considerando que o novo CLASSE+ constitui “uma garantia” para o setor, Rui Oliveira, diretor da Saint-Gobain Portugal, ilustrou a dificuldade em aferir a efetividade da eficiência ao longo do tempo com o caso das ETICS, “um sistema complexo composto por vários produtos sem ficha técnica e de desempenho”, o que não garante “que estejam certificados e avaliados”. Já Carlos Miguel, membro do Conselho da EWFA, defendeu que as películas para vidros, “materiais reversíveis e inovadores”, são “parte de uma solução efetiva para a mudança energética”, sublinhando que a etiqueta CLASSE+ “é o reconhecimento da qualidade deste produto”. Por último, José Silvestre, professor catedrático no Instituto Superior Técnico e AECycle, deixou um alerta: “há muito ruído sobre os três tipos de rótulos ecológicos”, tipo I (certificação por entidade independente); tipo II (autodeclarações ambientais); e tipo III (declaração quantificada e verificável). Há que “tentar evitar a todo o custo as autodeclarações, que estão muito blindadas pelo greenwashing”.
A Conferência CLASSE+ incluiu ainda a apresentação pública da 3ª edição dos ‘Prémios Janelas Eficientes’, uma iniciativa da ADENE que distingue a inovação, a qualidade e as boas práticas no setor, contribuindo para a melhoria do desempenho energético do edificado. Apelando à participação, António Batalha, gestor de equipa da ADENE, fechou o evento com estas palavras: “às empresas do setor e a todos os associados: enviem candidaturas”.
A Conferência CLASSE+ - ‘Mais produtos, melhor informação, a mesma classe’ contou com o apoio da Revista Novo Perfil.


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