Num contexto marcado pelo aumento das temperaturas globais e pela necessidade urgente de reduzir as emissões de CO2 nos meios urbanos, o centro tecnológico Leitat desenvolveu e patenteou uma tecnologia que pode transformar a forma como é gerida a energia e o conforto no interior dos edifícios. Trata-se de um sistema de vidros inteligentes baseado em tecnologia plasmocrómica, capaz de se adaptar automaticamente e em tempo real à intensidade da luz solar.
O princípio desta tecnologia baseia-se na utilização de nanomateriais plasmónicos integrados no próprio vidro. Estes materiais respondem a estímulos elétricos de muito baixa tensão – podem ser ativados com uma simples pilha de 3 volts –, alterando as propriedades óticas e a opacidade do vidro em poucos minutos.
Além de contribuir para a regulação térmica, o sistema permite otimizar a entrada de luz natural e reduzir o encandeamento, melhorando o conforto visual dos utilizadores. A janela é regulada por um sistema de controlo inteligente que escurece ou aclara o vidro com base num algoritmo preditivo e em dados meteorológicos em tempo real.
Os resultados dos testes realizados demonstram um impacto direto na eficiência energética e na redução dos custos de utilização dos edifícios. Estima-se uma redução superior a 35% no consumo energético anual, incluindo aquecimento, refrigeração e iluminação, acompanhada de uma melhoria do conforto térmico e visual em diferentes condições meteorológicas e ao longo do dia e do ano.
Este desenvolvimento tecnológico foi impulsionado por projetos estratégicos de investigação, como o Smartlux, liderado pelo próprio centro tecnológico com o objetivo de levar nanomateriais de última geração para aplicações reais no mercado.
A investigação contribui também para reforçar o posicionamento da Leitat na inovação industrial em Espanha e na Europa, através da colaboração com redes como a Federação Espanhola de Centros Tecnológicos (Fedit), com vista a acelerar a transferência de soluções mais limpas e eficientes para os setores da construção e do desenho urbano.
Longe de constituir apenas um conceito desenvolvido em laboratório, a tecnologia já está a ser testada em diferentes edifícios de demonstração na Europa, bem como em aplicações experimentais para o setor dos transportes, demonstrando o seu potencial de aplicação à escala industrial.
Michele Manca, investigador principal do projeto na Leitat, destaca a relevância da patente no atual contexto: “o mundo enfrenta o desafio da descarbonização. As alterações climáticas obrigam-nos a implementar inovações sustentáveis que contem com uma ampla aceitação social e económica. Na Leitat, estamos firmemente empenhados em reduzir a pegada de carbono dos ambientes construídos, otimizando ao máximo recursos naturais tão nossos como a luz do sol”.
Com este objetivo, a Leitat reafirma o compromisso de transferir investigação científica de elevado nível para soluções práticas aplicáveis à economia real, contribuindo para o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis e de edifícios inteligentes nas próximas décadas.
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