Como passar de projetos de moradias para centenas ou milhares de habitações plurifamiliares Passive House? E como fazê-lo mantendo os custos de construção competitivos? Estas são algumas das questões centrais da 14.ª Conferência Passivhaus Portugal, que regressa ao Centro de Congressos de Aveiro nos dias 20 e 21 de outubro, com visitas técnicas programadas para o dia 22.
Sob o desafio de tornar a Passive House cada vez menos uma exceção e cada vez mais uma solução corrente na construção, a edição de 2026 vai trazer a Portugal experiências internacionais onde esta mudança já está a acontecer.
Um dos exemplos em destaque será o do Grupo Lobe, de Espanha. Jesús Díaz, diretor técnico do Grupo Lobe, vai partilhar a estratégia que permitiu à empresa atingir cerca de sete mil fogos segundo o padrão Passive House, explicando como o padrão foi integrado na forma de projetar, construir e promover os seus empreendimentos.
A experiência espanhola vai servir de ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre o mercado português, reunindo diferentes perspetivas da promoção imobiliária e da construção para perceber quais são, atualmente, os principais obstáculos e oportunidades para aumentar a presença da Passive House em Portugal.
Outro dos principais convidados desta edição é Michael Ingui, presidente da Ingui Architecture, que traz dos Estados Unidos uma dupla perspetiva sobre a Passive House.
No primeiro dia da Conferência, Michael Ingui aborda um dos desafios associados ao crescimento deste padrão: como comunicar princípios técnicos rigorosos de uma forma simples, clara e compreensível, aproximando a Passive House de clientes, promotores e do mercado em geral.
No segundo dia, juntamente com Jesús Díaz, apresenta projetos desenvolvidos nos Estados Unidos e em Espanha, mostrando como os princípios Passive House podem ser aplicados a diferentes tipologias e mercados sem perder os pilares de desempenho, conforto, qualidade e rigor construtivo.
Mais do que apresentar casos de sucesso, a Conferência pretende promover uma discussão prática sobre o que Portugal pode aprender com estes exemplos e o que é necessário mudar para que a Passive House possa ganhar uma presença mais significativa em projetos residenciais, hoteleiros e de maior dimensão.
O encerramento ficará a cargo do arquiteto e autor Lloyd Alter, numa sessão dedicada a uma questão que vai muito além da eficiência energética: como habitar um planeta com fenómenos climáticos extremos mais frequentes? E com temperaturas mais elevadas? E com maior instabilidade na utilização dos recursos?
A intervenção vai cruzar edifícios, energia, clima e qualidade de vida, colocando em discussão o papel da eficiência, da resiliência e do desempenho na forma como iremos construir e viver nas próximas décadas.
A 14.ª Conferência Passivhaus Portugal combina as sessões do Grande Auditório com quatro rondas de workshops em cinco salas simultâneas, onde vão ser apresentados projetos Passive House e soluções de diferentes marcas e especialidades, incluindo demonstrações de Blower Door Test.
Ao longo dos dois dias haverá também uma área de exposição, momentos de networking e contacto direto entre profissionais, empresas, projetistas, promotores e outros agentes ligados à construção e à eficiência dos edifícios.
A edição de 2026 assume, assim, um objetivo claro: olhar para mercados onde a Passive House já está a ser aplicada a uma escala muito superior, perceber o que tornou esse crescimento possível e trazer essa discussão para Portugal.
A participação é gratuita mediante inscrição obrigatória.






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