A Europa precisa de mais de dois milhões de novas habitações por ano, mas parte da resposta pode estar nos edifícios que já existem. Um novo livro verde promovido pelo Grupo Velux, ‘The Housing We Need For The Future We Want’ (‘A habitação de que precisamos para o futuro que queremos’), estima que a Europa poderá desbloquear entre 50 e 107 milhões de habitações adicionais aproveitando melhor os edifícios existentes através de nove medidas, desde a renovação de casas e a reintrodução de alojamentos vagos no mercado até à conversão de sótãos.
Em Portugal, onde os Censos 2021 registaram 723.215 alojamentos vagos (12,1% do total) e 35,8% dos edifícios necessitavam de reparações, o potencial de recuperação e renovação é significativo.
O livro verde mostra que a construção nova, por si só, não consegue resolver os desafios interligados da habitação, da energia e do clima na Europa. Mais de 85% dos edifícios com que a Europa vai contar em 2050 já estão construídos. Renovar, adaptar, reutilizar e aproveitar melhor este parque existente poderá desbloquear entre 50 e 107 milhões de habitações adicionais – o suficiente para alojar entre 115 e 246 milhões de pessoas, segundo as estimativas –, reduzindo, ao mesmo tempo, a pressão sobre o solo, os materiais e os sistemas energéticos.
O potencial impacto climático é igualmente significativo. Um melhor aproveitamento dos edifícios existentes na Europa poderá evitar entre 3,9 e 19 mil milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2e) nos próximos 50 anos. Na União Europeia (UE), os edifícios representam 40% do consumo final de energia e 36% das emissões de gases com efeito de estufa associadas à energia, e um em cada três europeus está exposto a condições de clima interior pouco saudáveis em casa.
O documento foi desenvolvido em colaboração com a Artelia, o Buildings Performance Institute Europe (BPIE), o Research Institutes of Sweden (RISE) e a No Objectives e baseia-se num estudo de grande escala realizado pelo BPIE para a Comissão Europeia, que desenvolveu dez mil arquétipos de edifícios representativos do parque edificado da UE.
Os Censos 2021 registaram em Portugal 723.215 alojamentos vagos, o que representa 12,1% dos alojamentos familiares clássicos do país. Cerca de metade destes – 375.118 – não estavam disponíveis para venda ou arrendamento. O mesmo recenseamento concluiu que 35,8% dos edifícios, cerca de 1,2 milhões no total, necessitavam de algum tipo de reparação, enquanto 63,6% dos alojamentos de residência habitual estavam sublotados.
O estado das habitações existentes também afeta o dia a dia. De acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) de 2025, 32,1% da população vivia em casas com humidade, infiltrações ou podridão nas janelas ou no chão; 15,6% não tinha capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida; e 28,2% vivia em casas que não eram confortavelmente frescas no verão. Mais de metade (53,2%) dos agregados familiares residentes em habitações construídas antes de 1960 declarou não ter realizado qualquer obra de renovação para melhorar a eficiência energética.
Os certificados energéticos emitidos entre 2014 e 2023 mostram que 65% não ultrapassaram a classe energética C. Este indicador refere-se aos imóveis para os quais foram emitidos certificados – como casas vendidas, arrendadas ou de construção nova – e, por isso, não representa a totalidade do parque habitacional.
Por sua vez, o Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia estima que Portugal vai precisar de cerca de 465 mil habitações até 2035, incluindo 176.600 para além das 289 mil já planeadas.
Estes números mostram que o desafio não passa apenas por construir mais, mas também por aproveitar melhor o que já existe, numa altura em que a procura de habitação continua a pressionar os preços e as rendas. Muitas casas têm espaço subaproveitado na cobertura, incluindo sótãos e águas-furtadas, onde a luz natural e a ventilação podem ajudar a transformar áreas atualmente pouco utilizadas em espaços habitáveis.
Para ajudar a pôr estas conclusões em prática, o Grupo Velux lança o Re:Living, uma abordagem que alarga à renovação o seu premiado conceito Living Places. O Re:Living propõe uma abordagem holística centrada na saúde, na acessibilidade económica e na sustentabilidade, explorando a forma como a renovação pode tornar-se mais estruturada, escalável e acessível para proprietários, profissionais e parceiros.
A abordagem organiza-se em quatro etapas: Re:Think, Re:Scope, Re:Design e Re:Cover. Em conjunto, pretendem tornar a renovação uma opção mais atrativa e exequível.
“Na verdade, a Europa dispõe de uma abundância das infraestruturas habitacionais de que necessita. A questão é como as desbloqueamos. Com o Re:Living, queremos mostrar como a renovação pode passar de projetos isolados para uma resposta escalável a alguns dos desafios mais urgentes da Europa”, afirma Lotte Clemmen Christensen, senior vice president, Buildings of the Future & Group Sustainability do Grupo Velux.
Sobre o livro verde: 'The Housing We Need For The Future We Want'
O livro verde identifica um conjunto de medidas, incluindo a melhoria das habitações existentes através de intervenções de eficiência energética e conforto; a recuperação de habitações vagas; a reconversão de edifícios não residenciais subaproveitados; a reconfiguração de habitações sobredimensionadas; a otimização da utilização do espaço; a ampliação de estruturas existentes através da conversão de sótãos; a construção em altura ou para fora; e a construção nova de baixo carbono sempre que for necessário construir de raiz.
O livro verde baseia-se num estudo de grande escala realizado pelo BPIE e parceiros para a Comissão Europeia, que desenvolveu dez mil arquétipos de edifícios representativos do parque edificado da UE. Estes arquétipos constituem um dos modelos mais completos e detalhados dos edifícios europeus atualmente disponíveis, incluindo avaliações do ciclo de vida de edifícios existentes, cenários de renovação e construção nova. Neste estudo, o mesmo modelo foi utilizado para avaliar o potencial impacto das nove medidas propostas e estimar em que medida poderiam ser aplicadas no parque residencial europeu, com 21 mil milhões de metros quadrados.
O livro verde é publicado como um convite aos decisores políticos, ao setor da construção, aos investigadores e à sociedade civil para debaterem a forma como a Europa pode dar escala à renovação e aproveitar melhor os edifícios que já tem.
Leia o livro verde completo aqui.






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