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14.ª edição reuniu especialistas nacionais e internacionais em Aveiro

Conferência Passivhaus Portugal destaca caminhos para construir em grande escala

28/10/2026
A construção Passive House em grande escala já não é uma possibilidade teórica

Cerca de 550 participantes, 80 empresas expositoras e mais de 60 workshops marcaram a 14.ª edição da Conferência Passivhaus Portugal, que trouxe exemplos internacionais de como aplicar o padrão Passive House a milhares de habitações, mantendo o foco na qualidade, no desempenho e nos custos de construção.

Michael Ingui, da Ingui Architecture, Carl Halbach, do Passive House Institut e Lloyd Alter, arquiteto e professor na Toronto Metropolitan University...
Michael Ingui, da Ingui Architecture, Carl Halbach, do Passive House Institut e Lloyd Alter, arquiteto e professor na Toronto Metropolitan University, na sessão de abertura 'Passive House sem complicações: como comunicar para chegar mais longe'.
Nesta edição, uma das grandes questões esteve no centro do programa: como passar de projetos pontuais para a construção de habitações Passive House em grande escala? A resposta chegou através de experiências concretas de mercados onde essa transformação já está a acontecer.

De projetos pontuais para milhares de habitações Passive House

Um dos exemplos internacionais em destaque foi o do Grupo Lobe, apresentado por Jesús Díaz, diretor de produção do grupo, que mostrou como a empresa espanhola integrou o padrão Passive House na sua forma de projetar, construir e promover. “Nos últimos dez anos fomos industrializando e otimizando continuamente o nosso processo construtivo. Hoje temos cerca de 7.000 habitações Passive House, em diferentes modelos, desde habitação para venda e arrendamento até habitação social, e conseguimos reduzir de forma muito significativa as horas de trabalho em obra e melhorar a eficiência dos edifícios. Chegámos a um ponto em que conseguimos construir Passive House a um custo inferior ao da construção tradicional e, no final, entregar um imóvel mais valorizado pelo mercado e com melhor desempenho”, sublinhou Jesús Díaz.

A experiência espanhola mostrou que construir Passive House em escala não depende apenas da escolha de soluções técnicas, mas também de um processo integrado, que começa no projeto e passa pela industrialização, pela repetição de soluções, pelo planeamento e pelo controlo da execução.

Esta discussão foi alargada a Portugal numa mesa-redonda que juntou representantes do Grupo Casais, da Cushman & Wakefield e da Savills, trazendo as perspetivas da construção, do imobiliário e da consultoria para o debate sobre as condições necessárias para aumentar a presença do padrão Passive House no mercado nacional.

Comunicar menos técnica e mais qualidade de vida

Dos Estados Unidos chegou outra perspetiva. Michael Ingui, arquiteto e fundador da Ingui Architecture e do Passive House Accelerator, apresentou alguns dos projetos Passive House desenvolvidos pelo seu atelier em Nova Iorque, mas centrou também a atenção num desafio que considera essencial para o crescimento do conceito: a forma como é comunicado.

“Se queremos que a Passive House chegue a mais pessoas temos de simplificar a forma como a comunicamos. As pessoas não procuram pontes térmicas ou estanquidade ao ar. Procuram uma casa confortável, saudável, sem humidades ou bolores e com melhor qualidade do ar interior. É sobre esses benefícios e sobre a qualidade de vida que devemos falar”, defendeu o arquiteto.

Michael Ingui partilhou ainda exemplos de iniciativas desenvolvidas nos Estados Unidos, incluindo conversas e painéis com construtores, que procuram aproximar a Passive House do mercado e transformar um conceito técnico numa proposta de valor facilmente compreendida por quem vai efetivamente utilizar os edifícios.

Jesús Díaz, do Grupo LOBE Espanha, na sessão 'Passive House em escala: a estratégia de crescer
Jesús Díaz, do Grupo LOBE Espanha, na sessão 'Passive House em escala: a estratégia de crescer.

Construímos hoje edifícios preparados para o futuro?

Se Jesús Díaz trouxe um modelo já aplicado em grande escala e Michael Ingui mostrou a importância de comunicar melhor o seu valor, Lloyd Alter encerrou a conferência, deixando sobretudo perguntas.

O arquiteto, autor e professor de design sustentável (que a NovoPerfil entrevista na sua edição de novembro) refletiu sobre a forma como vamos habitar um mundo sujeito a temperaturas mais elevadas, fenómenos climáticos extremos mais frequentes e maior instabilidade no acesso à energia e a outros recursos.

Esta reflexão colocou a eficiência, a resiliência e o desempenho passivo no centro da discussão e lançou uma questão fundamental para todo o setor: podemos continuar a construir hoje da mesma forma quando sabemos que os edifícios terão de responder a condições muito diferentes no futuro?

Mais de 60 workshops e 12 visitas Passive House para mostrar como se faz

Para além das sessões do Grande Auditório, a conferência voltou a apostar fortemente na componente prática. Ao longo dos dois dias, realizaram-se mais de 60 workshops, distribuídos por diferentes zonas, nos quais profissionais e empresas apresentaram projetos Passive House, soluções construtivas, sistemas e equipamentos desenvolvidos e aplicados em contexto real.

No dia 22 de outubro, o evento saiu novamente do Centro de Congressos, com visitas guiadas a edifícios Passive House, permitindo aos participantes conhecer no local construções realizadas segundo este padrão e contactar diretamente com os projetos e as soluções utilizadas.

60 workshops apresentaram ao vivo projetos Passive House, soluções construtivas, sistemas e equipamentos desenvolvidos e aplicados em contexto real...
60 workshops apresentaram ao vivo projetos Passive House, soluções construtivas, sistemas e equipamentos desenvolvidos e aplicados em contexto real.

Passivhaus Portugal lança 15 bolsas de estudo

Esta 14.ª edição ficou também marcada pelo lançamento das novas bolsas de estudo Passive House. Ao longo do próximo ano, serão atribuídas 15 bolsas, dirigidas a membros recém-inscritos na Ordem dos Engenheiros, na Ordem dos Arquitetos e na Ordem dos Engenheiros Técnicos.

A iniciativa pretende aproximar uma nova geração de profissionais do conhecimento sobre Passive House e reforçar competências numa área que assume uma importância crescente perante os desafios relacionados com a qualidade, o conforto e o desempenho do parque edificado.

As candidaturas estão abertas até 31 de dezembro de 2026, através deste formulário.

Conferência regressa a Aveiro em outubro de 2027

A próxima edição da conferência da Associação Passivhaus Portugal já tem data marcada. A 15.ª Conferência realiza-se nos dias 19 e 20 de outubro de 2027, novamente no Centro de Congressos de Aveiro. O dia 21 de outubro será dedicado às visitas guiadas a edifícios Passive House.

Depois de uma edição centrada em perceber como tornar o excecional comum, a conferência deixa uma conclusão clara: a construção Passive House em grande escala já não é uma possibilidade teórica. Existem projetos, empresas e mercados que demonstram que é possível fazê-lo. O desafio passa agora por transformar essa experiência em prática corrente também em Portugal.

As revistas NovoPerfil e O Instalador são media partners da Conferência Passivhaus Portugal.

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